Estudo mostra que mudanças no PL-29 reduzem impacto das cotas
Levantamento feito pelo Intervozes sobre programação de canais nacionais aponta que, mantido como está, projeto não produzirá mudanças substanciais nos pacotes vendidos atualmente
Estudo realizado pelo Intervozes – Coletivo Brasil de
Comunicação Social mostra que o impacto das cotas para produção nacional e
independente previstas no PL-29 será pequeno se for mantida a atual redação do projeto, conforme versão
apresentada pelo relator, deputado Jorge Bittar (PT-RJ).
Avaliando as grades de programação dos canais que poderiam
vir a ser contabilizados para preencher a cota de canais brasileiros previstas
no PL, o Intervozes aponta que não haverá necessidade de aquisição de novos
conteúdos ou mesmo mudanças significativas no horário de transmissão de
programas para que os pacotes vendidos atualmente estejam plenamente de acordo
com o que exige o projeto de lei.
O principal benefício da criação de cotas seria, exatamente,
ampliar o mercado para o conteúdo nacional independente ao garantir meios de
distribuição para a produção audiovisual brasileira. No entanto, o levantamento
mostra que a definição de conteúdo qualificado e a possibilidade de “compensação”
das cotas entre canais da mesma programadora – medidas previstas no projeto
atual – tornam desnecessária a criação de novos espaços para o conteúdo
nacional independente na TV por assinatura.
O estudo foi entregue a Bittar na noite da terça-feira
(6/5), um dia antes da data prevista para a votação do substitutivo ao PL 29 na
Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos
Deputados.
A pesquisa avaliou uma semana de programação do pacote digital básico da NET (Advanced
Digital), a principal operadora de TV por assinatura do país, com participação
de cerca de 75% no mercado de TV a cabo – tecnologia que representa cerca de
62% do mercado de TV por assinatura –, o que corresponde a cerca de 46% de participação
no total do mercado. Os pacotes, em versões idênticas ou similares, também são
veiculados por outras operadoras de TV a cabo e de outras tecnologias, como a
Sky.
O estudo analisou especificamente o impacto potencial
da cotas dos canais BR (previstas no artigo 18 do PL), sem tratar das cotas
internas aos canais internacionais (previstas no artigo 17).
No documento entregue a Bittar, o Intervozes incluiu sugestões para garantir
que a adoção das cotas tenha impacto no desenvolvimento do setor audiovisual
nacional. A primeira delas é excluir programas de debates e comentários da
definição de conteúdo brasileiro qualificado, definição que só apareceu na
última versão do PL. A segunda sugestão é especificar que leilões não podem ser
considerados conteúdo qualificado.
Uma terceira indicação feita pela organização foi a de não permitir a
compensação das cotas nos canais BR, para evitar que um ou dois canais cumpram
as obrigações relativas a todo um pacote de determinada programadora. A
possibilidade de um canal compensar a ausência de conteúdo nacional em outros
também foi incluída no projeto ao longo da negociação entre o Legislativo e os
empresários do setor.
Veja a matéria publicada pelo Observatório do Direito à
Comunicação sobre o estudo.
Veja a íntegra do documento com os resultados do estudo, entregue
ao deputado Jorge Bittar.



