Organizações sociais escolhem resoluções prioritárias
Em seminário, entidades nacionais e estaduais discutiram estratégias para fazer principais demandas aprovadas na Conferência saírem do papel
Uma das dificuldades para a implementação das resoluções da Conferência
Nacional de Comunicação (Confecom) é a extensa quantidade de propostas
que foram aprovadas na plenária final do encontro nacional. As mais de
600 resoluções geraram um cenário de falta de foco e de priorização de
temas e de ações. Para tentar minimizar esse problema, cerca de 50
pessoas de várias entidades nacionais e estaduais se reuniram em
Brasília nesta quinta-feira (1) e escolheram aproximadamente 70
propostas consideradas prioritárias para a sociedade civil.
A
ideia dos organizadores do seminário não foi de alterar ou retirar
propostas e nem de bater o martelo sobre o que é mais ou menos
importante na visão das organizações e movimentos sociais que
participaram do processo da Confecom. O objetivo foi criar uma
contribuição para que o movimento de comunicação debatesse prioridades.
O documento final deve circular pela internet para avaliação dos que
não puderam comparecer em Brasília neste seminário.
Com essas
prioridades que foram sugeridas no seminário, pretende-se que as
propostas escolhidas ganhem mais força que as outras e que, por
consequencia, tenham mais condição de saírem do papel. Não deve ser uma
tarefa fácil a curto prazo, já que o Parlamento vai andar a passos
lentos por causa do calendário eleitoral este ano. Além disso, o
ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins,
já afirmou que o papel deste governo seria apenas classificar as
propostas [saiba mais].
As
propostas elencadas como prioritárias foram selecionadas abarcando
todos os temas tratados na Confecom. Elas devem ainda passar por uma
sistematização e serão divulgadas a partir do próximo dia 19, por meio
de uma videoconferência. “Essa é a nossa plataforma para a batalha
eleitoral de 2010. É com ela que vamos tentar comprometer os
candidatos”, disse o jornalista do Portal Vermelho e presidente do
Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, Altamiro
Borges.
Propostas
Uma delas diz respeito
ao financiamento e estímulo à produção independente e regional de
conteúdos educativos. A ideia é mapear todos os fundos existentes em
âmbito federal e local que tenham como objetivo o apoio a este tipo de
produto de comunicação. E que as organizações sociais articulem a
criação destes mecanismos onde eles não existam.
Outra
prioridade seria a resolução que cria um sistema público de
distribuição física de conteúdos produzidos pelas redes de comunicação
e cultura, garantindo que a produção cultural financiada com dinheiro
público seja exibida e distribuída de forma livre em creative commons.
Para
a deputada federal Luiza Erundina (PSB-SP), que foi uma das
representantes da Câmara na Confecom, a eficácia dos encaminhamentos da
Conferência vai depender do nível de mobilização e protagonismo da
sociedade civil. Ela entende que o Plano Nacional de Banda Larga, por
exemplo, foi acelerado pela pressão dos movimentos da área e da
população.“Precisamos ampliar e preservar as conquistas”, afirma a
deputada, que foi uma das proponentes do seminário.
Um estudo
feito pelo deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE) mostra que cerca
de 35% das propostas aprovadas na Confecom implicam em alguma forma de
ação legislativa no Congresso Nacional. Além disso, o relatório informa
que, deste percentual, que representa 222 propostas, dois terços (148)
já são motivo de alguma ação, como projetos de lei, em pelo menos uma
das casas legislativas do país (Câmara e Senado).
Articulação
A
priorização das propostas não foi o único resultado do seminário de
Brasília. Também foi discutida a melhor forma do movimento de
comunicação continuar organizado. Embora não tenha sido um consenso
entre as entidades, a maioria decidiu manter e ampliar a Comissão
Nacional Pró-Conferência (CNPC), articulação que surgiu para mobilizar
a sociedade civil antes da Confecom.
A integrante do Conselho
Federal de Psicologia e da coordenação executiva do Fórum Nacional pela
Democratização da Comunicação (FNDC), Roseli Goffman, discordou da
revitalização da CNPC. “Não é um momento em que há força política para
nossas instituições comparecerem porque nós estamos disputando eleições
nas nossas entidades”, opinou. Segundo ela, a estratégia do FNDC é
revitalizar seus fóruns locais e criar novos onde não existirem.
Porém,
dentro do próprio FNDC existem posições diferentes. O coordenador da
Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e
Televisão (Fitert), Nascimento Silva, disse que o Fórum ainda não bateu
o martelo sobre o assunto. “Temos que manter a CNPC do jeito que ela
está”, afirmou.
As reuniões da CNPC devem acontecer mensalmente.
Além disso, foram encaminhadas outras ações, como a manutenção de um
diálogo mais próximo com as comissões estaduais e a tentativa de
realizar um debate com os candidatos à Presidência da República.
Além
de Luiza Erundina, pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e
Informática, o seminário também contou com a co-realização da deputada
Iriny Lopes (PT-ES), pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias, e de
entidades da sociedade civil. O evento foi realizado na Câmara dos
Deputados.
Texto de Jacson Segundo para o Observatório do Direito à Comunicação



