Sociedade mais forte na luta pelo marco regulatório
XVI Plenária marca momento de ampliação do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) e a criação de um campanha ampla para mobilizar a sociedade por uma nova regulação da mídia.
Foi encerrada no sábado (10), em São Paulo, a XVI
Plenária do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC).
Com o tema “20 anos, 20 pontos” – uma referência aos 20 anos do Fórum e à
“Plataforma da sociedade civil por um novo marco regulatório das
comunicações” - o evento apontou para o fortalecimento do FNDC como
espaço de construção da unidade do movimento de comunicação.
A
Plenária teve como destaque a presença de novas entidades filiadas ao
Fórum em um movimento de pluralidade e unidade de diversas forças
políticas. Assim foi aprovada a ampliação da Coordenação Executiva do
FNDC de seis para nove entidades, o fortalecimento do seu Conselho
Deliberativo com 21 entidades e as estratégias para a luta pela
democratização da comunicação para os próximos dois anos.
A nova
Coordenação Executiva para o biênio 2012-2013 contará com parte das
entidades que já estavam a frente do FNDC, como a Central Única dos
Trabalhadores (CUT), o Conselho Federal de Psicologia (CFP), a
Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (ABRAÇO), a Associação
Nacional de Entidades de Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversão
(ANEATE) e a Federação Interestadual dos Trabalhadores em Rádio e TV
(FITERT). A incorporação de novos atores como o Intervozes, o Centro de
Estudos Barão de Itararé, a Associação de Rádios Públicas do Brasil
(ARPUB) e Federação Interestadual dos Trabalhadores em Comunicações
(FITTEL) na Coordenação simbolizaram a renovação do movimento. Uma das
organizações fundadoras do FNDC, a Federação Nacional dos Jornalistas
(FENAJ) optou não compor a Coordenação Executiva neste período.
Eleita
nova Coordenadora-geral do FNDC, a Secretária de Comunicação da CUT,
Rosane Bertotti, avalia que esta composição reflete o novo momento do
Fórum. “O FNDC está incorporando companheiros das mais variadas
entidades e tendências para ampliar a participação na batalha pela
democratização da comunicação. Agregar mais entidades para a direção do
FNDC é ampliar a luta. Se houver hegemonia de uma ou outra, o Fórum
perde sua característica de aglutinador dos diversos atores dessa luta”.
disse.
A Secretária-Geral do Barão de Itararé, Renata Mielli,
afirma que “a dimensão da luta pelo direito à comunicação exige que o
Fórum seja mais forte, que existam mais comitês regionais para dar mais
capilaridade à nossa luta, que mais entidades venham para o FNDC”. Para
Mielli, a nova Executiva terá mais capacidade de ação e reflete o
crescimento do Fórum neste ano.
O fortalecimento do Conselho
Deliberativo do FNDC como instância responsável por ampliar as
definições das pautas políticas também foi destacada pelos participantes
da plenária. De acordo com o representante do Intervozes, João Brant,
essa estrutura interna deve estimular o debate e a participação sem
engessar a ação política. “Isso significa ter uma lista de discussão com
as entidades, ampliar os canais de diálogo com os comitês e frentes
estaduais e a realização de reuniões e eventos periódicos”, afirmou.
Mobilização
A
XVI Plenária do FNDC avaliou que o atual cenário político coloca a
comunicação como um dos principais temas da agenda de debates e ações da
sociedade civil. As diversas pautas apontam a necessidade de uma
mobilização da sociedade para o avanço nas propostas de democratização
do setor.
A principal resolução aprovada, neste sentido, foi a
construção de uma campanha ampla em defesa do novo marco regulatório das
comunicações, destacada em diversas teses apresentadas na Plenária.
Para representante da ARPUB, Orlando Guilhon, o principal desafio é
“articular o movimento social e a sociedade civil para uma campanha
forte pela regulamentação da comunicação”.
A proposta é que a
mobilização se concentre nos princípios da “Plataforma da Sociedade
Civil pelo Novo Marco Regulatório” e envolva diversas articulações e
movimentos, como os blogueiros progressistas, a mídia alternativa, a
rede de pontos de cultura, o movimento juvenil e estudantil.
Para
João Brant esta Campanha deve ressaltar o aspecto positivo das mudanças
que estão sendo propostas. “Defendemos uma comunicação que contemple a
diversidade e o pluralismo da sociedade brasileira. Uma comunicação que
garanta os direitos dos segmentos vulneráveis, como mulheres, crianças e
adolescentes, negros, pessoas com deficiência. Além de defasado e
arcaico, o atual marco regulatório não garante nenhum destes
princípios”, destaca.
Renata Mielli acredita que a campanha deve
dialogar com entendimentos mais simples sobre o tema. “Precisamos falar
para as grandes massas. Temos que encontrar um caminho que articule
amplos setores da sociedade e que pressione o governo a assumir essa
discussão”, enfatizou.
Além da campanha pelo marco regulatório, a
XVI Plenária definiu que o FNDC deve ter papel ativo em outras pautas
da comunicação, a exemplo da defesa do caráter público da EBC, a
participação na Campanha Banda Larga é um Direito Seu, a luta pela
criação dos conselhos estaduais e o acompanhamento das ações da Frente
Parlamentar pela Liberdade de Expressão e o Direito à Comunicação com
participação Popular (Frentecom).
Texto de Paulo Victor Melo para o Observatório do Direito à Comunicação



