Intervozes divulga carta de apoio ao MST
Documento do Ministério Público do Rio Grande do Sul pede que seja declarada a “ilegalidade” do movimento, em uma clara ação de um órgão do Estado brasileiro contra os direitos de liberdade de expressão e de associação
Como outras centenas de
entidades e milhares de pessoas de todo o mundo, o Intervozes –
Coletivo Brasil de Comunicação Social enviou à
direção do Movimento Sem-Terra e torna pública
carta de apoio à organização em função
da tentativa do Ministério Público do Rio Grande do Sul
de declarar ilegal o MST.
Na carta, o Intervozes
repudia “essas ações do Estado, que retrocedem aos
tempos da ditadura”.
“A liberdade
política, o direito de ir e vir, a liberdade de expressão
e manifestação estão sendo atacados no Rio
Grande do Sul com a criminalização de lideranças,
uso da violência para dispersar manifestações,
proibição de marchas, proibição de
qualquer deslocamento de famílias acampadas, além da
destruição de outros acampamentos, incluindo posto de
saúde e escola”, afirma o coletivo no documento.
Veja a íntegra
da carta enviada ao MST:
Às/aos
companheiras/ os do MST,
Não bastasse
a criminalização simbólica dos movimentos
sociais cotidianamente por parte da mídia, assistimos agora,
entre outras ações, à tentativa de
criminalização oficial do MST por parte do Ministério
Público do Rio Grande do Sul ao propor a dissolução
do movimento.
Repudiamos essas ações
do Estado, que retrocedem aos tempos da ditadura. As medidas de
repressão ao movimento agora sequer se relacionam com a
questão fundiária. Em documentos produzidos pelo MP-RS
e pelo serviço de inteligência da Brigada Militar gaúcha
vemos que a repressão se justifica com divergências
políticas e preconceito ideológico.
Para embasar suas ações
repressivas, os promotores destacaram que o MST é
anti-capitalista e esquerdista. Mencionaram que o movimento se
inspira nas obras de Florestan Fernandes, Paulo Freire, Chico Mendes,
José Marti, Che Guevara e Anton Makarenko. Denunciam que o
movimento é “político” e que seu objetivo é
o socialismo. Afinal, em um estado democrático de direito, tão
defendido pela Justiça brasileira, qual a relevância
jurídica destas citações em documentos oficiais?
Os mentores desta ação
orquestrada, articulados dentro da estrutura de Estado, são
explícitos quanto aos seus objetivos: dissolução
do MST, quebrar a espinha dorsal do movimento.
A liberdade política,
o direito de ir e vir, a liberdade de expressão e manifestação
estão sendo atacados no Rio Grande do Sul com a criminalização
de lideranças, uso da violência para dispersar
manifestações, proibição de marchas,
proibição de qualquer deslocamento de famílias
acampadas, além da destruição de outros
acampamentos, incluindo posto de saúde e escola.
Para nós, a ação
reacionária se torna uma afronta quando, em um país com
uma imensa dívida social e educacional, a força do
Estado é usada para destruir uma escola de acampamento, ao
invés de proteger e contribuir com aqueles que ele
historicamente relega.
Entendemos que sem a
atuação do MST em seus mais de 20 anos de existência,
a reforma agrária no Brasil estaria ainda mais atrasada do que
hoje e que o que se conquistou até aqui foi graças à
legítima pressão da população organizada
por movimentos como o MST.
Como coletivo que luta
pela democratização da comunicação,
sabemos que a mais nefasta repressão começa por sufocar
as idéias, que os mais nefastos conservadores tentam abolir
até as possibilidades de idealização daqueles
que querem mudanças sociais. A partir daí utilizam toda
força do aparato repressivo para impor o silêncio. Por
isso, nos esforçamos para alertar a sociedade brasileira sobre
esta forte ofensiva conservadora e manifestamos o nosso total apoio e
solidariedade ao MST.
Intervozes -
Coletivo Brasil de Comunicação Social.



