30
nov-2012

Relator da CPMI retira acusações contra jornalistas e Gurgel

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Para tentar viabilizar a aprovação do relatório final da CPMI do Cachoeira, o deputado Odair Cunha (PT-MG) excluiu as acusações contra jornalistas e contra o procurador-geral da República, Roberto Gurgel. Ainda assim, não há acordo que os demais membros apoiarão a nova versão, apresentada nesta quarta (28). Após pedido de vistas coletivo, a CPMI se reunirá no dia 5/12 para votar o documento. Até lá, as negociações continuam.

O relatório original pedia o indiciamento de cinco jornalistas que, conforme o relator, integraram a quadrilha de Carlinhos Cachoeira, promovendo seus negócios ilícitos, prejudicando a imagem dos desafetos dos criminosos e, em vários casos, recebendo dinheiro sujo para isso. “A quadrilha usou sim os meios de comunicação. Pagou jornalistas, plantou notícias. Mas esta não é a questão central deste relatório”, justificou o relator da CPMI do Cachoeira, Odair Cunha, em coletiva à imprensa.

Entre os jornalistas que escaparam do pedido de iniciamento está o diretor da sucursal da Veja em Brasília, Policarpo Junior. Segundo o relatório original, o jornalista colaborou com os interesses da organização criminosa promovendo suas atividades ilícitas, eliminando ou inviabilizando a concorrência e desconstruindo imagens e biografias de adversários comuns da máfia e da publicação. Também eram acusados os jornalistas Wagner Relâmpago, Patrícia Moraes, João Unes e Carlos Antônio Nogueira, que comprovadamente receberam dinheiro do crime para atender às demandas comunicacionais da quadrilha.

O pedido de investigação do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que seria encaminhado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), também foi abortado. Gurgel era acusado de “prevaricar”, ao suspender as investigações da Operação Vegas da Polícia Federal (PF), que apontava sérios indícios das ligações entre a organização criminosa e parlamentares federais. Para Cunha, garantir a investigação de Gurgel também não era o objetivo principal da comissão. “São questões importantes, mas o ponto central de nosso relatório é o núcleo da organização criminosa comandada por Cachoeira”, afirmou.

O relator manteve o pedido de indiciamento do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), do ex-senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO) e do deputado federal Carlos Alberto Leréia (PSDB-GO). E, ainda, o do dono da construtora Delta, Fernando Cavendish, e o do ex-diretor da Delta no Centro-Oeste, Cláudio Abreu. Garantiu que não irá excluir nenhum deles, tão pouco alterar questões estruturais do relatório. “O que podemos é fazer ajustes pontuais”, ressaltou.

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