17
out-2007

Editoras criticam fusão entre distribuidoras Dinap e Chinaglia

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Na última quinta-feira (11), a notícia que o Grupo Abril havia comprado a Fernando Chinaglia Distribuidora pegou o mercado editorial de surpresa. A fusão das duas maiores distribuidoras do Brasil – e a criação da Treelog S. A. Logística e Distribuição, uma nova empresa da Abril – foi comemorada por alguns, mas muito criticada por outros.

Várias editoras vêem com ressalvas e até apreensão o surgimento da Treelog.  Para Renato Rovai, editor da revista Fórum, distribuída pela Chinaglia, se todo o mercado de distribuição se concentrar nas mãos de uma única empresa, cria-se um "risco grandíssimo" de que ele seja manipulado. "Sempre fizemos críticas à Veja. Será que empresa da Abril vai continuar distribuindo nossas revistas?", questiona Rovai.

Segundo o editor, que foi avisado da fusão pela imprensa, a nova empresa pode causar problemas não só às pequenas editoras, mas também às grandes. Como exemplo, Rovai citou a Editora Globo, distribuída pela Chinaglia e concorrente direta de várias publicações da editora dos Civita. "E se a Abril quiser deixar de distribuir as revistas da Globo ou criar entraves?", se pergunta Rovai.

Procurada pelo Portal IMPRENSA, a Editora Globo informou que também foi pega de surpresa. "Não fomos avisados antes [da fusão], ficamos sabendo pela imprensa. Por enquanto, não temos nada a pronunciar porque estamos esperando uma reunião com o pessoal da Chinaglia, o que deve ocorrer ainda esta semana", declarou a assessoria da Editora.

Ao jornal O Estado de S.Paulo, a diretora de Marketing da Editora Globo, Yara Grottera, disse ser de fundamental importância nesse negócio preservar o que chama de "certos truques" que podem estimular vendas em bancas. "A revista Época (da Editora Globo) sai antes da Veja (Editora Abril), assim como a Marie Claire (Globo) circula dois dias antes da Cláudia (Abril). Isso cria oportunidade de venda no varejo, o que não quero perder", disse.

No mercado de publicações populares, um dos maiores concorrentes das revistas da Abril é a Editora Escala, também distribuída pela Chinaglia. Segundo o presidente da Editora, Hercílio De Lourenzi, se a independência das distribuidoras for mantida – como garante o comunicado da empresa -, a transação será positiva, senão, será "um desastre".

"Me lembro que, no início de sua empresa de distribuição, o Fernando Chinaglia se dizia ser o 'baluarte da democracia'. Me parece que essa função foi para o espaço. Essa é uma situação complicada e que ainda não podemos afirmar como acabará, mas mudou completamente o quadro, porque agora ficou difícil haver contraponto de idéias. Se as empresas mantiverem a independência, haverá até uma redução nos custos, se não, será um desastre", declarou Lourenzi, que também foi avisado da fusão pela mídia.

Mercados

A Distribuidora Nacional de Publicações (Dinap) detém cerca de 70% do mercado de distribuição e atende 32 mil pontos de venda. Além a Editora Abril, a empresa atende a outros cerca de 60 clientes. Já a Fernando Chinaglia, dona dos outros 30% de mercado, chega a 28 mil pontos de venda e responde pela distribuição de 250 empresas, entre elas a Editora Globo e Editora Três.

Como a fusão é entre as duas maiores empresas de distribuição do país, ela ainda terá de ser aprovada pelo órgão antitruste do governo, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O Grupo Abril tem 15 dias – a contar da data da aquisição (11/10) – para comunicar a compra.

Procurada pelo Portal IMPRENSA, a Editora Abril disse que "não há previsão de alguém falar sobre o assunto". Até o fechamento da matéria, a Fernando Chinaglia Distribuidora não havia respondido às ligações da reportagem.

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