22
fev-2007

Organização alerta para concentração da mídia na AL

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Especialistas alertaram para o perigo de concentração crescente da mídia na América Latina durante um seminário do centro de estudos Diálogo Interamericano realizado nesta quarta-feira (21/02). A instituição norte-americana foi fundada em 1982 para desenvolver a cooperação nas Américas, e tem como diretores o ex-presidente chileno Ricardo Lagos e a ex-representante de comércio dos Estados Unidos Carla A. Hills, além do ex-presidente brasileiro Fernando Henrique Cardoso como vice-diretor. O alerta coincide com a conclusão do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) em seu relatório anual publicado no dia 05/02.

"Muitos desses grupos em países como a Bolívia, Venezuela ou Colômbia têm uma agenda política", afirmou Carlos Lauría, diretor da seção para as Américas do CPJ, à Agência EFE. Sua preocupação foi confirmada pelo ex-ministro e diplomata chileno Genaro Arriagada, que destacou a ausência de regulamentos e restrições legais.

Os dois analistas lembraram que o fenômeno não é exclusividade da América Latina, mas também ocorre nos Estados Unidos e Europa. Em seis dos oito maiores países latino-americanos, 60% da circulação de jornais se concentra em quatro publicações. Para Arriagada, apesar de presente nos EUA, o fenômeno é bem mais forte na América Latina.

Grupos religiosos conservadores, como a Opus Dei, foram apontados como possuindo "enorme influência na comunidade empresarial" e perigosos por atacarem os que possuem linhas editoriais que consideram "excessivamente liberais". A tendência é fortalecida também pela força da publicidade, que pode discriminar grupos contrários aos seus interesses, e pela relação entre empresas de comunicação e políticos.

Exceções

Brasil e México foram citados como exceções pelo tamanho de sua economia, o que tornaria difícil a concentração como ocorre na Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Uruguai e Venezuela.

Apesar disso, o relatório do CPJ lembrou que a brasileira Rede Globo seria um exemplo de concentração da comunicação, assim como a Televisa no México e os grupos Clarín e Cisneros, na Argentina e Venezuela, respectivamente. Nos últimos quinze anos esse monopólio ganhou força no rádio e na TV.

Entre as propostas para resolver o problema, está a de melhorar a regulamentação no setor e leis anti-monopólio eficientes. "Não é um problema tão sério como a violência contra jornalistas ou a intimidação, mas não deixa de ser um problema", opinou Lauría.

Conflitos

Benoit Hervieu, diretor para as Américas da Repórteres sem Fronteiras (RSF), ressaltou, além da concentração, o aumento de confrontos entre empresas públicas e privadas na Venezuela e entre vários grandes grupos no Brasil. Ele apontou a internet como um fator cada vez mais responsável para diminuir o poder dos conglomerados da mídia.

(*) Com informações da Agência Efe

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